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CASO DE SUCESSO - FAZENDA URBANA

Empresa do Rio é pioneira na produção de microverdes em ambiente controlado na América do Sul

Empresa do Rio é pioneira na produção de microverdes em ambiente controlado na América do Sul

Por André Souza e Vanessa Brito

As primeiras sementes da Fazenda Urbana foram plantadas em 2016. Logo vieram os primeiros 'brotos' e, desde então, a empresa dos brasileiros Rodrigo Meyer, Gláucio Genuncio e do norte-americano Tom Oberlin não parou mais de crescer e surpreender.

Localizada na cidade do Rio de Janeiro, esta 'fazenda' ocupa contêineres e foi a primeira de agricultura vertical em ambiente controlado da América do Sul. Ela produz vegetais 'microverdes', uma tendência da horticultura bastante conhecida internacionalmente.

 Os microverdes são plantas recém-nascidas e colhidas entre 7 e 21 dias após a germinação. A Fazenda Urbana produz alho-poró, brócolis, coentro, couve, mostarda, rabanete, repolho roxo, rúcula e trigo. Os produtos possuem sabor mais intenso do que os similares maduros da agricultura tradicional. Por este e outros motivos, os chefs adoram os microverdes.

O diferencial do empreendimento fluminense são os processos produtivos sustentáveis e a tecnologia desenvolvidos pelos sócios. Os métodos da Fazenda Urbana reduzem o uso de água na 'plantação' e aumentam os valores nutritivos dos alimentos colhidos, além da produtividade ser medida por cm². Um contêiner repleto de bandejas dos pequeninos legumes e verduras equivale a muitos hectares de terra plantada.

A Fazenda Urbana abastece restaurantes e mercados finos do eixo Rio-São Paulo.  Os microverdes agradam paladares exigentes e também têm outra vantagem: durante o preparo, dispensam o uso de eletrodomésticos e simplificam o processamento.

Loucos

Os três sócios têm formação e trabalhavam na área de tecnologia, quando tiveram a ideia de empreender no negócio pioneiro. Passaram um ano dedicados aos planos de negócio e às pesquisas de mercado.

Chegaram a ser chamados de loucos por amigos mais próximos. Antes de criarem a empresa, venceram uma concorrência internacional para fornecer oito contêineres de microverdes à Ilha da Madeira (região autônoma que pertence a Portugal). Foi o sinal de que não era loucura.

"Diziam que não fazia sentido plantar em contêineres, porque o Brasil é a terra dos alimentos', conta Rodrigo. "Percebemos que não é bem assim, nosso país tem uma cadeia de distribuição falida, pois desperdiça muito alimento. Então, a cidade é o melhor lugar para produzir", argumenta.

Foi durante a fase de testes que as dúvidas sobre a aceitação dos produtos foram sanadas: os microverdes foram aprovados por crianças, público mais resistente a legumes e verduras. 

"Um dia estava preparando almoço para meu enteado e coloquei dois brócolis na frente dele: um microverde e outro já adulto. Ele tinha que escolher um dos dois", lembra Rodrigo. Para a surpresa do empresário, o enteado escolheu os pequeninos brócolis e avaliou como "não sendo tão ruim". A experiência foi repetida na casa de Tom, que também obteve resposta positiva. 

Uso de recursos naturais

A necessidade de cada vegetal é avaliada etapa por etapa, desde o plantio da semente. Princípios sustentáveis são considerados, especialmente em relação à agua, que é refiltrada e reaproveitada, após cada processo produtivo. " A Fazenda Urbana não usa irrigação. Trabalhamos com um sistema que, além de usar pouca água doce, faz com que ela gire nos ambientes e seja refiltrada a cada recirculação", explica Tom.

O alimento dura mais tempo na geladeira do cliente, porque chega vivo. "No começo, usávamos fibra de coco na etapa de germinação. Hoje, desenvolvemos e estamos migrando para o uso de um gel à base de algas", informa Rodrigo.  A solução foi desenvolvida pelos  empresários e será patenteada em breve.

Outro grande diferencial da Fazenda Urbana é não precisar de terra para plantar. "Minimizamos o uso de recursos naturais. Como não usamos terra, não corremos o risco de contaminá-la", argumenta Rodrigo.

O uso de energia também é menor. "Como a produção é feita num ambiente controlado, o uso de energia com refrigeração é minimizado. Fazemos com que o ambiente esteja protegido tecnicamente para que usemos apenas o necessário", esclarece.

Quarenta vezes mais nutritivos

Segundo os empresários, os microverdes possuem 40 vezes mais valor nutricional que um vegetal adulto. Além disso, outros atrativos fazem com que os produtos  se tornem mais atrativos: textura e formas mais agradáveis; facilidade de expansão nas receitas; mais facilidade para processá-los.

Desafios

Para Rodrigo, ser a primeira empresa a produzir microverdes na América Latina tem vantagens, mas também desafios. A embalagem para vender o produto foi um deles. "Não havia nenhuma embalagem no mercado para entregar o produto, atendendo as normas da Anvisa", lembra.

Após um ano de pesquisa e desenvolvimento com a ajuda do Sebrae, os empresários chegaram a uma embalagem com as condições necessárias.

Outra barreira foi – e continua sendo – transformar a cultura de consumo. "As pessoas estão acostumadas a comprar vegetais já cortados, que estão no processo de oxidação e possuem menor valor nutricional. Reverter essa cultura e fazer as pessoas consumirem os vegetais vivos, é um desafio", explica Tom.

 Previsão

A Fazenda Urbana deu certo e hoje prospera.  Atualmente oito funcionários trabalham na empresa, além de equipes terceirizadas que fazem a entrega e distribuição dos produtos.

Os sócios só têm uma meta: crescer mais. O empreendimento também está produzindo cogumelos e o próximo passo será a produção de tomates e morangos em contêineres. A loucura virou realidade e um bom negócio. 

 Mais informações: https://www.fazenda-urbana.com/

 

  • Terça-feira, 29 de Outubro de 2019