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Caso de sucesso - Gaia Art & Café

Café sustentável faz sucesso no Rio

Café sustentável faz sucesso no Rio

Por Vanessa Brito

Alimentação saudável é um segmento que não para de crescer no Brasil e no mundo e há muito espaço para empreendimentos que objetivam melhorar a qualidade de vida das pessoas. Foi com este propósito que Flávia Torga, após viver cinco anos em Praga (República Tcheca), trabalhando como musicista - ela é percussionista - resolveu abrir o Gaia Art & Café no Leme no Rio de Janeiro (RJ).

O nome Gaia é uma palavra de origem grega que significa Mãe-Terra. Não poderia ser mais perfeito para o empreendimento que oferece lanches e pratos vegetarianos e foi totalmente pensado e montado baseado na sustentabilidade. Ela passou uma temporada vivendo em uma ecovila no estado paulista, onde aprendeu práticas de permacultura, produção agroecológica e orgânica, antes de empreender.

“Resolvi montar um negócio com propósito, não é porque está na moda, mas com o objetivo mesmo de sensibilizar as pessoas para buscarem uma alimentação boa e gostosa.  Quero incentivar as pessoas a olharem para si mesmas, verem que é possível reaproveitar as coisas, olhar para o outro.  Foi isto que me motivou. A gente precisa de negócios sustentáveis que ofereçam bons alimentos”, diz a musicista e empresária.

Flávia estima que cerca de 150 pessoas/dia frequentam o Gaia, durante a semana, e o dobro aos sábados, domingos e feriados. “Elas aprendem muita coisa conosco, entre elas como usar menos plástico e consumir menos carne ”, diz. Uma equipe composta por nove pessoas trabalha no café.

A empresária argumenta que alimentação saudável é muito comum em cafés e bistrôs na Europa, mas que no Rio não era, cinco anos atrás. A presença desses empreendimentos reflete a procura por boa alimentação. “Não significa que as pessoas devam ser 100% vegetarianas ou veganas. É uma procura, cada vez mais comum, por equilíbrio, sobre o que comer, sabendo de onde veem os produtos, quem os produz e como os produzem”, justifica.

Resíduos, energia e água

Uma empresa especializada busca o óleo usado pelo café e Flávia afirma que está sempre procurando fazer mais boas práticas sustentáveis. Tentou fazer composteira junto com a comunidade próxima ao Leme, mas não deu certo. No momento, está procurando produtores de cerveja para retornar os cascos. Ainda não encontrou. A solução está sendo vender mais chopp, pois não tem garrafa.

Embalagens de papel são usadas na lojinha do café, mas para as entregas dos aplicativos IFood e Rappi usam plástico, lamenta Flávia. Neste caso, um bilhete para o cliente acompanha o delivery, orientando reaproveitá-lo de alguma maneira. Papel e plástico são separados e doados para recicladores e cooperativas.

As lâmpadas do empreendimento são LED, a manutenção dos equipamentos está sempre em dia e a aquisição de aparelhos mais eficientes (selo A Procel) são algumas práticas de eficiência energética.  A implantação de energia solar fotovoltaica é um sonho. Como o café fica embaixo de um prédio, será necessário envolver a vizinhança, segundo a empresária.

A economia de água é um esforço diário. Torneiras automáticas e vasos sanitários acoplados com sistema de duplo acionamento foram instalados nos banheiros.  Está nos planos implantar um sistema de captação da água dos ares-condicionados para utilizar na descarga dos banheiros. Outro sonho é captar a água da chuva, que também depende do prédio.

A participação do Gaia Art & Café no projeto Sebrae na Mesa do Sebrae RJ, realizado no Polo Gastronômico, Turístico e Cultural de Santa Teresa, que aplica a metodologia Cardápios Sustentáveis & Pequeno Circuito, gerou mudanças nos procedimentos internos, que reduziram 40% no consumo de água.

Parceiros e reaproveitamento

Os produtos hortifruti para as receitas do Gaia são comprados de agricultores familiares, que praticam agricultura agroecológica e ou orgânica. O empreendimento já foi parceiro do projeto Favela Orgânica, realizado no Morro da Babilônia e Chapéu Mangueira.

Pequenos fornecedores são grandes parceiros do café. Eles são cerca de 15 produtores de pães integrais, geleias, especiarias, cosméticos, paninho de cera (para vedar potes de vasilhas com alimentos), copos não descartáveis e objetos de arte e design, que são expostos e comercializados na lojinha do Gaia.

“A gente tenta reaproveitar os alimentos ao máximo”, informa Flávia. Por exemplo: a torta integral de banana usa o fruto, e a casca se transforma em recheio do burrito. Depois de preparar o café expresso, o pó é secado e oferecido aos clientes como esfoliante natural.

 O reaproveitamento é quase total e poucos resíduos orgânicos são descartados. A empresária diz que chegou a tentar doar às comunidades próximas do Leme, mas não deu certo. Ela espera que um dia encontre a solução para doar os resíduos orgânicos para um projeto de compostagem mais próximo.

Cardápio e música

O cardápio do Gaia Art & Café apresenta cerca de 30 tipos de lanches e pratos criativos, feitos com propósito e capricho, sempre de acordo com a sazonalidade dos alimentos. Serve também café da roça (coado na hora), tapioca de banana com queijo de coalho e melado, pães fermentados naturalmente, hambúrgueres, pratos com cogumelos Portobello, tira-gostos feitos de arroz integral e outras delicias surpreendentes.

A música ao vivo faz parte do ambiente com apresentação de músicos parceiros, afinal sua proprietária é musicista. Exposições de artes plásticas também são realizadas no café vegetariano. O empreendimento funciona de terça à sexta-feira, das 12 às 22h, e aos sábados, domingos e feriados das 9h às 19h.

Experiência feliz

“Estou gostando bastante da experiência de ser empresária. Nunca tive comércio. É um aprendizado diário, enfrentando desafios também diários”, diz ela. Cada dia significa um novo aprendizado. Sustentabilidade é isto: vivenciar cada momento e ir se adaptando, até onde pode ir, reflete Flávia.( https://gaia-art-cafe.negocio.site/ )

 

  • Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
  • Alimentação saudável

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