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Conferência Ethos

Momento político e integridade são destaques em evento do Instituto Ethos em SP

Momento político e integridade são destaques em evento do Instituto Ethos em SP

Por Vanessa Brito

Começou, nesta terça-feira (25), a Conferência Ethos 2018, que comemora 20 anos da fundação do Instituto Ethos, fruto do movimento empresarial iniciado no final dos anos 80 com o objetivo de promover o engajamento do setor privado no desenvolvimento sustentável brasileiro. A conferência deste ano terá três edições: já foi realizada no Rio de Janeiro (RJ), em junho passado; em São Paulo (SP), prossegue até amanhã; e em Belém (PA), em novembro próximo.

As palavras integridade, transparência, valores, equidade, diversidade, responsabilidade socioambiental, compliance e sustentabilidade foram as mais ditas e ouvidas, hoje. O momento atual brasileiro às vésperas das eleições majoritárias, que vão definir o próximo presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, foi citado em praticamente todos os painéis.

O presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, leu um manifesto, na abertura da conferência. “ É chegada a hora do protagonismo empresarial revelar sua vital importância para a sociedade fazendo valer a nossa história democrática e participativa destas três últimas décadas. E para isso convocamos as lideranças empresariais para um urgente posicionamento, indo além de seu papel tradicional nas pautas corporativas, pela defesa e aperfeiçoamento da democracia e da redução das desigualdades em nosso país”, diz o texto. A versão integral pode ser lida no link https://www3.ethos.org.br/wp-content/uploads/2018/09/Manifesto-Ethos-20-Anos.pdf

Ao todo foram 37 painéis que abordaram temas como: a agenda econômica e política e sustentabilidade; inclusão e diversidade; mudanças tecnológicas; equidade racial e diversidade; lideranças sustentáveis; diretos das mulheres; gestão e política ambiental nas campanhas eleitorais; acesso à saúde de qualidade; movimento de responsabilidade social no país; governo aberto nos municípios; contratações públicas; transparência e cultura da integridade; políticas de diversidade social; preservação das estatais X interferências políticas; ferramentas de responsabilidade sociais; precificação de carbono; a voz das comunidades; desafios da mineração no Brasil; urgência das iniciativas de conformidade e integridade dos partidos políticos brasileiros; estímulo a debates urgentes sobre gênero, inclusão e diversidade; gestão de resíduos e saneamento básico no país; certificação de programas de compliance; sustentabilidade na cadeia de valores; união contra a corrupção; repensando a masculinidade e novas formas de liderança;, fundos patrimoniais permanentes, valorização da produção intelectual de negros e negras, interseccionalidade, entre outros.

Responsabilidade social

Oded Grajew sócio fundador e presidente emérito do Instituto Ethos deu um belo depoimento no painel sobre a trajetória da instituição. Disse que várias ideias surgiam em momentos sabáticos. A missão inicial do Ethos era fazer com que as empresas tivessem gestão social responsável. Tudo começou com este objetivo, lembrou.

“Nossa preocupação era que as empresas fossem parceiras da comunidade e que trabalhassem não só para serem responsáveis, mas por uma sociedade justa e sustentável”, explicou.

Grajew disse que há várias organizações no mundo, mas nenhuma com ações de responsabilidade social como o Ethos. “Havia investimento social, que não chegava a 1% do faturamento das empresas, mas isto não era responsabilidade social”, afirmou.

Ele destacou a criação dos Indicadores Ethos como um divisor de águas na história do instituto. Foi a hora da verdade, pois se passou a mensurar tudo: comunicação, a relação com trabalhadores, consumidores, fornecedores, etc

Agenda econômica e eleições

No painel ‘A agenda econômica e as eleições 2018 – o que esperar para o desenvolvimento sustentável’, foi dito que o Brasil tem dificuldade enormes para dialogar questões atuais. O país está vivendo um debate público empobrecido, ao mesmo tempo em que é preciso debater mudança tecnológica, globalização e questões ambientais, que acontecem simultaneamente no mundo, afirmou Jorge Abrahão, coordenador geral da rede Nossa São Paulo.

Elena Landau, presidente do Conselho Acadêmico do Livres, disse que o movimento liberal cresce porque as políticas intervencionistas públicas fracassaram e que o problema da Previdência Social repete a desigualdade. Ainda mais, que o Brasil está muito atrasado em tecnologia e sustentabilidade. É preciso discutir sustentabilidade em outros marcos, tais como trabalho, empregos, etc

Integridade, transparência e segurança jurídica

Viviane Saraiva, diretora administrativa financeira da construtora Queiroz Galvão Brasil  falou que é preciso ir além do compliance e influenciar o setor público e as pequenas empresas. É possível mudar a cultura da empresa por meio de treinamentos, contar com um canal interno de denúncias, desde que tenha independência, acrescentou, sugerindo às pequenas empresas, que não possuem recursos suficientes para investir em um compliance robusto.

Para Jorge Hage, sócio da Hage Compliance Consultoria e ex-ministro da CGU, os exemplos de compliance são minoria. “Por melhor que seja o avanço e conquistas internas de determinada empresa não basta. Elas devem ir além disso para influenciar o ambiente externo”, afirmou Hage.

Ele alertou que é preciso evitar que ocorra desvantagens competitivas entre empresas que têm compliance e as que continuam usando padrões de práticas condenáveis. “Confio mais na disseminação horizontal do que na vertical, de cima para baixo, por meio de leis. Empresas estatais estão obrigadas por lei ao compliance para prevenir a lavagem de dinheiro”.  Fora disto, não há obrigatoriedade, apenas incentivo, explicou.

A lei anti-corrupção se revelou insuficiente, pois prevê redução de 20% da multa se  for envolvida em processo e tiver compliance. “A meu ver os incentivos deveriam ser maiores até a isenção total de multa”, ressaltou Hage.  A responsabilidade dos dirigentes e colaboradores continua.

Governo aberto nos municípios

A integridade chega nos municípios sob pressão para gerar mais  transparência, segundo as apresentação no painel sobre governo aberto. Esta agenda chega pela porta do medo, apesar de não ser a melhor maneira. Trata-se de uma mudança cultural importante que precisa de envolver os servidores.

A integridade é uma agenda transversal que trabalha com a saúde, educação, compras, seguranças, entre outros temas. Já a agenda da transparência revela dados, que geralmente ficam guardados numa caixa preta. Os servidores passam a ser os agentes do governo aberto.

A legislação vem ajudar o trabalho do servidor com mais ferramentas, que tornam os serviços mais eficientes. As empresas estão preocupadas com o ambiente público-privado e o governo aberto pode ser a solução.

Participaram deste painel: Aureliano Júnior, coordenador-geral de Governo Aberto e Transparência do Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União; Caroline Burle, responsável elas relações institucionais do Centro de Estudos sobre Tecnologias Web e do W3C Brasil; Paula Oda, coordenadora de projetos em práticas empresariais e políticas públicas do Instituto Ethos; e Sérgio Andrade, fundador da Agenda Pública e diretor executivo da Escola de Políticas Públicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

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