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De Macapá para o mundo: o caso da startup Orçafascio

De Macapá para o mundo: o caso da startup Orçafascio

Por Vanessa Brito

PORTO VELHO (RO) -  Antônio Fascio Terceiro estava na Campus Party Rondônia no estande do Sebrae RO para falar sobre sua empresa, a Orçafascio Soluções para a Engenharia,  para os campuseiros.  Este empreendimento nasceu como startup em Macapá (AP) e, apesar do sucesso e rápido crescimento, em apenas quatro anos, continua a desenvolver novos produtos com a mesma metodologia usada pelas startups iniciantes. 

“Só vendemos pela Internet, não temos a pretensão de sair do Amapá, pois conseguimos construir um processo de escala que independe de onde estamos. Somos o primeiro software de orçamento de obras do Brasil por assinatura na Internet . Estamos muito bem consolidados na rede”, afirma.

Sonho e realidade

“Todo mundo vende startup como um sonho, como se fosse dar certo da noite para o dia, e não é bem assim. Dá muito trabalho. É preciso ter resiliência, capacidade de transformar a adversidade em solução”, recomendou Antônio.  Quem está neste caminho, não pode ter medo de errar e começar tudo de novo para acertar.  Aí está o sucesso ou fracasso da startup, acrescentou.

O pecado original dos empreendimentos brasileiros é o fato de que a  cada dez empresas, sete vão à falência em cinco anos, conforme dados do Sebrae, citou. Imagina um empreendimento que começa sem ter plano de negócio, sem dinheiro e fazendo uma coisa que ninguém nunca fez, que é literalmente uma inovação?, argumentou. O número de falências pode ser muito maior no mundo das startups brasileiras.

As principais causas do insucesso das startups são: não desenvolver soluções de acordo com a necessidade do cliente; não validar a ideia de forma correta; e conflitos entre sócios.

Outra recomendação é em relação à clientela: “quem determina o rumo de seu produto não é você, é o cliente. A gente pensa que sabe alguma coisa, mas o cliente é quem sabe, se a sua solução é boa ou não.  É imprescindível ouvir o cliente para crescer”, aconselhou.

Na cozinha

Antônio conta que sempre trabalhou no setor da construção civil, um negócio de família. Ele é analista de sistemas e observou o quanto seria útil um sistema na web para orçar materiais e monitorar o andamento das obras para os engenheiros.  Começou a desenvolver a ideia de um software com estas características nas horas livres, na mesa da cozinha de casa.

Comentou com um amigo o que estava fazendo e ele sugeriu que participasse da Campus Party Recife 2014. Antônio não colocou muita fé, mas o amigo inscreveu a ideia do sistema no evento, que acabou sendo selecionado para participar como startup.

Antônio e o amigo foram para Recife. Os dois venceram como equipe destaque da Campus Party na capital pernambucana. O projeto foi acelerado pela ACE (uma das principais aceleradoras do mundo) e ganhou visibilidade. Ele, um engenheiro mecatrônico e dois analistas de sistemas passaram uma temporada em São Paulo (SP) para acelerar o empreendimento, receber mentorias, etc. “ Eu cozinhava para a equipe”, se recorda.

 “A gente entendeu o mecanismo da startup, qual era o trabalho a ser realizado e quem era o cliente. Começamos a escalar”, conta. O produto decolou de Macapá para o Brasil e o mundo. Uma das vantagens da economia digital é que o empreendimento pode estar em qualquer lugar, desde que tenha internet e boa conexão disponíveis, observou.

Internacional

Hoje, a Orçafascio está com 5 softwares no mercado nacional e global e 2 mil clientes, que usam as plataformas por assinatura na web no Brasil, Estados Unidos, Portugal e Angola. No momento, o empreendimento está estudando a possibilidade de implantar um escritório no Canadá.

O empresário e ‘startupeiro’  recomendou aos jovens da Campus Party RO, com conhecimento de causa. “Muita gente acha que precisa de dinheiro para crescer e eu não tinha dinheiro. Sou uma startup bootstrap, ou seja, que cresceu por conta e dinheiro próprios”, disse ele.

Os softwares da Orçafascio fazem cálculos de mão de obra e de materiais necessários para construir projetos, que podem ser desde um grande estádio de futebol até simples reformas de casas. Detalhe importante: os sistemas são adequados às normas dos editais de órgãos públicos. Alguns módulos são acessíveis por aplicativos.

BIM

O produto mais recente da empresa é o Orçabim, baseado no conceito Building Information Modeling (BIM), que chega a economizar 20% dos custos da obra. Antônio informa que uma resolução federal estabeleceu, recentemente, prazo até 2022 para que todas as obras no país sejam feitas com softwares BIM.

“A gente faz a melhor ligação entre software e o conceito BIM, que é chamado de orçamento 5D. Os cálculos são feitos na planta, automaticamente e sem erro humano, conseguindo transpor e fazer o orçamento em tempo real”, explicou.

Mais informações: www.orcafascio.com

 

 

 

 

 

  • Domingo, 5 de Agosto de 2018
  • Campus Party

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