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Preço justo

Empresa se recusa a majorar preços de produtos essenciais por oportunismo

Empresa se recusa a majorar preços de produtos essenciais por oportunismo

Por Vanessa Brito

A Comercial Reis é uma empresa familiar varejista especializada em ferramentas, ferragens e produtos para trabalhadores do setor de serviços, entre eles, da saúde, construção civil, concessionárias de água e energia, etc. Há 13 anos,  a venda de EPIS é o carro-chefe (capacete, óculos, máscaras, luvas, protetores solares, macacão químico impermeável, botas e ferramentas) nas duas lojas em Cuiabá. Segundo Cristiano Reis, filho do fundador da empresa, José Divino Reis, esses produtos significam investimento, pois são insumos exigidos por lei para que alguns setores funcionem adequadamente, resguardando a segurança física e a saúde dos trabalhadores.

Cristiano é o atual gestor da Comercial Reis. Ele diz que outras empresas do ramo que estão sendo oportunistas ao majorar preços de equipamentos essenciais para médicos e enfermeiros – máscaras, luvas e álcool em gel -  durante a pandemia. A Comercial Reis não está negociando com fornecedores que abusam da situação para faturar. O empresário falou à Agência Sebrae de Notícias de Mato Grosso:

“Estávamos vendendo macacão químico a R$22,50, enquanto tinha empresa vendendo a R$ 40; óculos por R$ 5 e outros vendendo a R$ 12. Não acho justo, estamos vivendo uma crise de saúde pública e esses produtos são fundamentais para o atendimento às pessoas e aos trabalhadores nos hospitais. Não é justo querer só faturar numa situação dessa.

Nossos preços já cobrem o custo e têm margem de lucro, para quê vender mais caro? Somos solidários em nossos preços com os profissionais da saúde, que nos procuraram. Esta é a nossa missão, que está em nosso planejamento estratégico: comercializar produtos de qualidade e oferecer atendimento com eficiência aos nossos clientes.  Ética é um valor que nós praticamos.

Estamos aguardando a chegada de 5 mil máscaras, macacões e álcool em gel, nos próximos dias. O governo paulista proibiu as fábricas desses produtos venderem para outros estados. Por este motivo, a entrega está atrasada, mas vai chegar.

Estamos negociando preços com fornecedores. Com aqueles que estão sendo oportunistas, não fechamos. Vamos esperar os preços estabilizarem, porque vão estabilizar.  Não vamos vender produtos com preços aviltantes para nossa clientela.

Nós não tínhamos de fechar as portas, na primeira semana de isolamento social em Cuiabá, mas fechamos para estudar estratégias. Nossa primeira estratégia foi atender só por telefone e Whatsapp. Intensificamos o delivery.  Esgotou o estoque de máscaras, macacões, protetores faciais, luvas e álcool em gel, atendendo médicos e enfermeiros. Alguns clientes reclamaram. Na segunda semana, abrimos as lojas com os devidos cuidados com os funcionários e clientes.

Colocamos cordão de isolamento entre o balcão e o cliente.  Os colaboradores mais velhos estão em casa. Não temos intenção de demitir ninguém.  Ao todo empregamos 15 pessoas. Nove estão trabalhando, usando máscaras e álcool em gel.

Nada será como antes. Vai haver uma mudança de cultura no mercado, principalmente no contato físico. Quem não se reinventar não vai sobreviver.  Estamos negociando com os clientes. Estamos abertos para cooperar. Estamos atentos ao cenário. Suspendemos as compras, só se for para venda casada. Escuto rádio. Postamos no Instagram nosso horário de funcionamento das lojas (de segunda à sexta das 8 às 15h), produtos e preços (@comercialreis2).  

Desde 2017, temos o Sebrae como parceiro. Mudamos a gestão, processos, aprendemos a fazer planejamento estratégico, muitas coisas. Se não estivéssemos com o Sebrae, teríamos fechado as portas”.

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Segunda-feira, 13 de Abril de 2020
  • Pandemia de coronavírus