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Tecnologia e inovação - Amazônia Sustentável

Fórum da Campus Party RO lança manifesto pela Amazônia Sustentável

Fórum da Campus Party RO lança manifesto pela Amazônia Sustentável

Por Vanessa Brito

PORTO VELHO (ro) – Um legado importante da Campus Party RO ficará na história do evento realizado em Porto Velho, além da programação repleta de aprendizagem, entretenimento e compartilhamento de conhecimento em tecnologia digital. O I  Fórum Internacional da Amazônia Sustentável, realizado nos dois primeiros dias do evento (2 e 3/8), reuniu especialistas, estudiosos e representantes de instituições relacionadas com o bioma amazônico e foi encerrado com o lançamento de um manifesto. A ideia do Fórum foi a de transformar a Amazônia em um polo digital em favor do planeta.

O manifesto será entregue às autoridades brasileiras e, também, divulgado internacionalmente. O Fórum foi acompanhado atentamente pelo ministro-conselheiro da Embaixada da União Europeia no Brasil, Carlos Oliveira, que levará o manifesto à Bruxelas, onde fica a sede da união econômica e política composta por 28 países membros.

Os idealizadores e organizadores do fórum foram: o superintendente do Sebrae Rondônia, Valdemar Camata; o vice-presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas, Claudio Nascimento; e o presidente do Instituto Campus Party, Francesco Farruggia.

“Nada mais propício do que usar a Campus Party, um evento que respira inovação e conectividade para chamar a atenção para os grandes problemas enfrentados hoje na Amazônia e quais impactos eles trarão para o Brasil e o mundo, em um futuro próximo”, afirmou o superintendente do Sebrae RO.

Dez propostas integram este documento que sugere ações para o desenvolvimento sustentável amazônico, agregando a aplicação da tecnologia e inovação para garantir: o uso racional dos recursos naturais do rico bioma; o reconhecimento ao conhecimento dos povos da floresta e apoio ao seu desenvolvimento; e à implantação do conceito de ‘cidades inteligentes’ na região.

Sustentabilidade, tecnologia e inovação

 “A Campus Party, entre outras coisas, fez este fórum. A gente entende que a Campus Party também tem que ter esta função de discutir temas importantes para deixar um legado por onde passa. Em SP, fizemos um fórum sobre o marco civil da Internet”, ressaltou Farruggia, no encerramento do Fórum Internacional da Amazônia Sustentável.

O manifesto reúne um conjunto de conclusões sobre os dados e informações registrados em pesquisas e estudos a respeito do processo de ocupação e desenvolvimento desta região, explica Camata. A área desmatada equivale ao território da União Europeia, segundo dados do SIPAM-Sistema de Proteção da Amazônia. Este tamanho é o bastante para gerar riquezas e desenvolvimento.

“Este manifesto lança um olhar absolutamente fidedigno sobre esta região e do que fizemos até aqui com a floresta e este bioma. Tiramos conclusões que nos aproxima mais do que fazer, de agora em diante, para que esta região continue servindo ao país e ao planeta, reconhecendo nossos erros “, afirmou o superintendente do Sebrae RO.

Ele destacou que com o atual arcabouço tecnológico e de inovações disponíveis pode-se incrementar o desenvolvimento sustentável da região amazônica de forma exponencial, aumentando a produtividade das áreas ocupadas e desmatadas. O conhecimento empírico dos povos da floresta também deve ser tratado como uma tecnologia, que pode auxiliar a farmacologia e a medicina, entre outras áreas. Para que isto aconteça, é preciso apoiar as comunidades que vivem no interior da floresta, pois atualmente se encontram abandonadas pelas políticas públicas.

“Precisamos reconhecer que os povos da floresta estão desassistidos, abandonados não está sendo dada a eles a opção de nos ensinar a viver nela. Eles também precisam ter acesso à tecnologia que provê o desenvolvimento humano e que pode apoiar a educação de seus filhos, gerando a fixação de sua sociedade na floresta e não fora dela”, argumenta Camata.

É preciso aproximar sustentabilidade, tecnologia  e os processos inovadores de desenvolver soluções digitais  para apoiar a Amazônia. Os campuseiros que acompanharam o Fórum Internacional da Amazônia Sustentável puderem perceber este viés importante para atuarem.

Propostas do manifesto

1 – Que todos os sistemas de monitoramento do bioma amazônicos, rios e florestas, desmatamento, queimadas e degradações, sejam disponibilizados aos cidadãos brasileiros de forma livre para que todos possam acompanhar em tempo real o avanço sobre seus ativos naturais

2 – Que seja implantado de imediato um programa de regularização fundiária na região amazônica para eliminação de conflitos agrários e a responsabilização de proprietários de terras quanto ao seu uso inadequado ou ilegal

3 – A criação de um programa de Desmatamento Zero na Amazônia para que ao longo dos próximos anos toda a exploração de recursos ocorra prioritariamente dentro das áreas já disponíveis, por meio da implantação de tecnologias para o aumento de produtividade e recuperação de áreas degradadas

4 – A implementação de políticas de educação e saúde às populações ribeirinhas e isoladas na floresta amazônica, que padecem de recursos mínimos para a sobrevivência

5 – Inserção das comunidades acadêmicas para a realização de pesquisa e extensão junto às comunidades isoladas para conhecimento das tecnologias e costumes dos povos da floresta na utilização da biodiversidade amazônica

6 – Aplicação de metodologia de valoração dos serviços ambientais fornecidos pela floresta para sua monetização e aplicação em seu desenvolvimento

7 – Valoração da marca Amazônia, que agregará valor a tudo o que for produzido nesta região, acrescentando royalties que retornam para a aplicação em políticas de desenvolvimento

8 – Aplicação do conceito de cidades inteligentes, formando redes de cidades amazônicas para o enfrentamento de problemas comuns, conectando-as às redes mundiais de smart cities para implementação de programas de educação à distância, políticas de geração de emprego e renda através do empreendedorismo sustentável

9 – Formalizar a cooperação internacional com a União Europeia e outros organismos que possibilitem o compartilhamento de conhecimento aplicado ao processo de desenvolvimento sustentável da Amazônia, conectado com a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

10 – Sugerir o reconhecimento da cultura dos povos indígenas da Amazônia como Patrimônio Cultural da Humanidade

 

Palestrantes do I Fórum Internacional da Amazônia Sustentável

Ana Cristina Strava Correa, coordenadora de Operações do Centro Regional de Porto Velho do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM)

Carlos José Marques de Oliveira, ministro-conselheiro da Embaixada da União Europeia no Brasil

Leonardo de Azevedo Calderon, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)

Eduardo Athayde, diretor do Worldwatch Institute no Brasil

Marcelo Thomé da Silva de Almeida, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO)

Cláudio Nascimento, vice-presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas e diretor de Tecnologia de Olinda (PE)

Raphael Callou Neves Barros, diretor da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) no Brasil

Valdemar Camata, diretor-superintendente do Sebrae Rondônia

 

Mais informações: http://brasil.campus-party.org/

 

 

 

 

 

  • Domingo, 5 de Agosto de 2018

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