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Moda e sustentabilidade, antítese mercadológica?

Moda e sustentabilidade, antítese mercadológica?

Por *Marcus Nakagawa

Todas as vezes que pensamos em moda buscamos as últimas tendências e o que as marcas estão fazendo para os próximos lançamentos de primavera/verão e outono/inverno. Além de todo o processo fabril das roupas e o fato de que muitas fábricas estão com problemas com direitos humanos, tem a pegada ecológica dos materiais utilizados e do transporte até as lojas nos shoppings ou, atualmente, direto na sua casa. Por último existe o descarte correto dos produtos. O problema das roupas, sapatos e tênis sempre é o que fazermos com os modelos “old fashion”, que ninguém mais usa e ficam encostados no armário.

Muitas pessoas doam para instituições de caridade, amigos, parentes e para aqueles que precisam. Mas no final da linha, no Brasil, a maioria das roupas ainda vai parar nos lixões e aterros sanitários.

Então precisamos parar de comprar roupas? O ideal seria, porém sabemos que a realidade é outra e que o minimalismo ainda é só um conceito que começa a ser colocado em prática por um mínimo de pessoas.

Temos o “upcycling” que dá uma ressignificação ao produto descartado, sem necessariamente passar por um processo químico ou físico. É uma forma de fazer reciclagem, sem gastar mais energia do planeta. No caso específico das roupas é agregado um valor de design e de criatividade. Na cidade de Eskilstuna, Suécia, por exemplo, fizeram o shopping ReTuna Recycling, com várias lojas dedicadas somente a produtos de “upcycling”, veganos e reciclados.

Outra forma de minimizar o impacto ambiental é no processo de fabricação. O empreendedor Dan Barry, fundador da Marc Skid, começou a fazer cuecas e calcinhas com algodão orgânico e fibras provindos de reciclagem de garrafas PET. Ou seja, cuecas e calcinhas ambientalmente corretas! Além disso, cada compra ajuda instituições de caridade e apoio humanitário.

No final de 2017, a indústria de calçados fez um relatório com as boas práticas, incluindo questões de saúde e segurança, meio ambiente e direitos humanos, entre outros.  How to Do Better: An Exploration Practices within the Footwear Industry é o título do documento que mostra a preocupação e alguns processos para minimizar os impactos sociais e ambientais, sem perder o foco no financeiro.

No caso do Brasil, temos a Insecta Shoes que nasceu como uma empresa de impacto socioambiental, além de ser uma “Empresa B”, certificação específica para empresas responsáveis e conscientes. A empresa vende sapatos e acessórios ecológicos e veganos produzidos no país. Além de ter estampas muito bacanas, a marca é engajada em várias causas e possui diversos selos e parcerias.

Vemos que é um movimento sem volta, mas você deve se perguntar se apenas as pequenas ou médias empresas deste segmento estão preocupadas com estes temas. Um dos exemplos bem atuais é a Adidas, que vendeu um milhão de tênis feitos com plásticos retirados dos oceanos. Inicialmente, em 2017, era para ser somente uma linha promocional com sete mil pares, porém o sucesso foi tanto que aumentaram a produção e, óbvio, as vendas.

Conforme a empresa, em cada par de tênis com design inspirado em ondas do mar é colocado 95% de plástico retirado do oceano e 5% de poliéster reciclado. Ainda é somente uma linha de tênis dentro de vários segmentos e produtos da marca, porém já é um bom começo.

Outra grande marca de tênis, vestuários e afins, não ficou para trás e lançou o Nike Circular Innovation Challenge, um desafio focado em, como eles dizem no site, pensadores, fazedores, designers e engenheiros. A inscrição é até dia 1 de maio de 2018 e tem duas categorias: Design com material de moagem (Design with Grind) e Recuperação de material (Material Recovery) com prêmios em dinheiro e tudo mais.

Analisando estas duas empresas buscando soluções para questões dos seus resíduos e a questão ambiental do planeta, temos um pouco mais de esperança para as gerações futuras. Sim, é uma visão um pouco romântica e até ingênua, mas se não acreditarmos que as questões financeiras se adequarão à capacidade do meio ambiente e do planeta é melhor ficar deitado na cama esperando as catástrofes.

Temos que utilizar a inovação, criatividade e o bom senso para realizar o nosso desenvolvimento e sobrevivência no planeta. E você o que está fazendo para isso?

 

*Marcus Nakagawa é professor da graduação e MBA na ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e diretor da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com

  • Terça-feira, 10 de Abril de 2018
  • artigo

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