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CASO DE SUCESSO - COMMUNY

 Plataforma de Manaus facilita a vida em condomínios residenciais

Plataforma de Manaus facilita a vida em condomínios residenciais

Por Maria Clara Cabral e Vanessa Brito

Sustentabilidade consiste em equilibrar resultados econômicos com benefícios sociais e ambientais. E é assim que empreendedores de Manaus (AM) colocam em prática 3 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), numa plataforma digital de comunicação para condomínios: a Communy.

Criada em 2016, a ferramenta conecta direta e indiretamente três tipos de usuários: agentes de portaria; gestores dos condomínios, que são síndicos; administradores e contadores; e moradores. No momento, 40 mil usuários estão integrados `a Communy, que também pode ser acessada por aplicativo. Agentes de portaria e síndicos, contratantes do serviço, usam a plataforma no site.

A  ferramenta centraliza requisições dos condôminos em um único ambiente virtual, gerando uma base de dados com nome dos moradores, veículos e animais de estimação; notifica unidades por meio de mensagem pessoal e cria comunicados gerais; e, ainda, gerencia documentos como boletos.

“Começamos com a ideia de resolver problemas de comunicação, respondendo  dúvidas como ‘quem é meu síndico, como faço para pagar um boleto ou ter acesso ao regimento interno’”, afirma Pedro Cavalcanti, um dos fundadores e sócios do empreendimento.  

“Com o tempo, percebemos que essa era só a ponta do iceberg. Em um condomínio, há muitos problemas a serem resolvidos. Até hoje, não sabemos o tamanho real desse iceberg”, brinca.

Consumo sustentável

“Já ouvimos relatos sobre uma infiltração acabar com todo o histórico do condomínio porque a goteira estava em cima do armário de documentos. Então, por que não digitalizar tudo e ainda reduzir o uso de papel? Foi quando percebemos que estávamos com um pé na sustentabilidade”, relata Pedro.

Além de agilizar a parte operacional e burocrática do condomínio, a plataforma contribui com o ODS 12 -  “assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis”. A Communy reduz 80% o consumo e custos de papel nos condomínios-clientes.

“Estamos falando de custos altos, porque não é só com papel, pois há também impressão, encadernamento e cópias. Um condomínio médio, por exemplo, antes gastava mais de R$ 1.200 reais/mês só com papel. Hoje, gasta o mínimo, cerca de R$ 200 reais”, informa Pedro.

Inclusão digital

“Ao fecharmos contrato com um condomínio, a primeira coisa que a gente fez foi colocar um computador à disposição da pessoa que vai lidar com o operacional. Primeiro realizamos um treinamento sobre noções básicas de informática, depois mostramos como a ferramenta funcionava”, esclarece. Esta prática foi adotada em todos os condomínios.

A abordagem da Communy conquistou a clientela e é elogiada por agentes de portaria, que recebem a capacitação,  e também por síndicos dos condomínios.  O primeiro contato com a tecnologia da informação motiva funcionários a buscarem profissionalização e novos conhecimentos. “O que era gargalo se transformou em retorno social”, diz Pedro.

Desse modo, a plataforma também contribui com o ODS 4 - “assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

Profissionalização

Assim como Pedro, trabalhadores que perderam seus empregos, na crise nos últimos anos, passaram a buscar novas fontes de renda. Com o suporte ofertado pela Communy, muitos deles optaram pela função de síndico profissional – categoria ainda não regularizada no país. “ Eles são nossos parceiros e sempre deixam claro que só entraram na atividade, porque há uma ferramenta digital para auxiliá-los”, relata.

O empreendimento  já recebeu depoimentos síndicos que cuidam de quatro condomínios e são remunerados com R$ 14 mil mensais. Dessa forma, a  plataforma também contribui para o ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico, cita Pedro.

Além de fomentar a inventividade de profissionais parceiros, dinamizando o trabalho nos condomínios, a plataforma profissionaliza a comunicação. A função “fale conosco” possibilita o contato direto do morador com o síndico, formalmente no aplicativo – de forma a evitar desgastes e ruídos.

Para iniciar uma conversa, o condômino classifica o assunto, por exemplo:  reclamação de barulho; carro estacionado em vaga indevida; latido de cachorro; lixo na varanda; etc  A Communy adapta a comunicação via chat, possibilitando o envio de vídeo e áudio, como qualquer aplicativo de mensagens, mas de forma privada e com prazos estipulados e com indicadores do sistema.

Este módulo da plataforma já conseguiu resolver reclamações de moradores sobre problemas comuns, evitando desgastes maiores.  Recentemente uma delas gerou um processo ajuizado por um morador que se sentiu ofendido dentro do grupo de Whatsapp de um condomínio e o síndico, como administrador desse grupo,  foi citado e teve de respondê-lo, segundo Pedro.

Por esse conjunto de serviços, a Communy é considerada por seus clientes uma verdadeira rede social de condomínios.

 Crise, oportunidade e apoio do Sebrae

A ideia do empreendimento baseado na plataforma para facilitar a vida nos condomínios residenciais surgiu quando Pedro e seus sócios trabalhavam como programadores em empresas. Eles conheciam os desafios, pois eram moradores de condomínios.

Observando a rotina doméstica e com base nos conhecimentos em tecnologia, pensaram: por que não lançar um produto no mercado para automatizar um pouco os processos dentro de um condomínio? Porém, era difícil abrir mão do emprego para encarar a empreitada.

O pontapé inicial foi a crise financeira do país em 2015. “Em Manaus, a gente depende muito do polo industrial, que, na época, estava com um programa de demissão voluntária em várias empresas. Foi a oportunidade para pegar o valor da rescisão do contrato de trabalho e criar a nossa própria empresa e ver um sonho realizado”, conta.

O processo de criação da empresa contou com um programa de fomento a startups do Sebrae AM. Em 2018, a Communy já havia conquistado um bom número de clientes. Pedro e os sócios também participaram do Sebrae Growth ( “crescimento” em português), um espaço de formação sobre como vender serviços digitais. Foram quatro finais de semana de contato com mentores e investidores de diferentes regiões do país.

Com apenas três anos no mercado, hoje o empreendimento possui 70 condomínios-clientes em Manaus. O negócio já começa a ir mais longe: há cerca de seis meses, passou a atender cinco condomínios em Uberlândia (MG) e dois no Rio de Janeiro (RJ).

“Com esse modelo de vendas na internet, a gente não tem limites. Nos outros estados, nós nem chegamos a procurar clientes, eles chegaram até nós via pesquisas no Google Ads”, comemora Pedro. (www.communy.com.br)

 

  • Terça-feira, 17 de Dezembro de 2019