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CASO DE SUCESSO – Instituto Libertas

Empreendimento fluminense coleta óleo usado de cozinha e atua em educação e cultura

Empreendimento fluminense coleta óleo usado de cozinha e atua em educação e cultura

Por André Souza e Vanessa Brito

Mudar o mundo a partir do local onde se vive sempre foi a grande motivação de Sidney Oliveira, fundador do Instituto Libertas de Educação, Cultura e Meio Ambiente, um exemplo de negócio de impacto socioambiental. Este empreendimento, localizado no município de Duque de Caxias (RJ), iniciou as atividades em 2010 com foco em consultorias e soluções educacionais para escolas, prefeituras e setor corporativo.

Em 2016, implantou o Programa Libertas de Captação de Resíduo de Óleo Vegetal, que hoje conta com 288 parceiros, entre eles escolas, lojistas, bares, restaurantes, pousadas, hotéis e condomínios da capital fluminense. O empreendimento gera 7 empregos diretos e vários postos de trabalho na coleta do material, feita por um pequeno furgão.

Até o momento, o instituto resgatou 163 mil litros de óleo usado, que poderiam ser descartados incorretamente na rede pública de esgotamento sanitário, impactando rios, córregos e lençóis freáticos com mais de 4 bilhões de litros de água contaminada, estima Sidney.

"Conseguimos gerar emprego e renda para 15 pessoas, gente que não sonhava e, hoje, temos até universitário que está cursando Direito. Estamos contribuindo para que haja menos desequilíbrio ambiental, porque esse resíduo deixa de ir para as águas do Rio de Janeiro e Baia de Guanabara", argumenta.

Após a coleta, o Instituto encaminha o material para um parceiro que filtra e trata o resíduo, transformando-o em matéria-prima novamente para ser reutilizado nas indústrias de ração animal, biodiesel e sabão.  Esta iniciativa é o carro-chefe do empreendimento, que gera recursos para outras ações.

O programa tornou o Instituto Libertas conhecido e reconhecido pelo trabalho bem-sucedido e atraiu mais parceiros tais como: realizadores do Rock in Rio, Cirque du Solei, Reveillon de Copacabana, Rio Gastronomia; Refinaria Petrobrás de Duque de Caxias; Hotel Fasano; e Sesc Nacional.

O empreendedor está satisfeito, mas não para por aí. Em 2020, quer adquirir mais um furgão para ampliar a atuação do programa, empregar e gerar mais trabalho, renda e dignidade para mais moradores de Duque de Caxias.

As iniciativas do Instituto dialogam com os seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU: ODS 6 – Água potável e saneamento; ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; ODS 11 - criação de cidades e comunidades sustentáveis; ODS 13 -  Ação contra a mudança global do clima; e ODS 13 - Parcerias e meios de implementação.

Educação como oportunidade

Caxiense de nascimento, coração e onde sempre viveu, Sidney tem 47 anos, é formado em Letras pela UFRJ e mestre em Avaliação de Sistemas de Educação pela Fundação Cesgranrio. É poeta, autor de livros e presidente de Academia Duquecaxiense de Letras e Artes. Antes de empreender, trabalhou como professor de português e literatura por 12 anos em escolas da rede privada (ensinos fundamental, médio e superior) na capital fluminense.

Saiu da sala de aula para atuar como consultor em um projeto educacional da Vale que o fez viajar e conhecer o Brasil. Ele conta que conheceu trabalhadores com ensino fundamental em grandes empresas, que ofereciam cursos de aprimoramento em leitura, matemática, etc “Vi que educação era muito mais do que se faz em sala de aula. Hoje, onde estou, faço educação”.

No ano de 2010, decidiu se reinventar e partiu para uma jornada de independência. Ele conta que desejava se libertar daquilo que não acreditava mais: o sistema capitalista tão desumano. Enxergou que poderia atuar como educador e consultor no setor corporativo, especialmente nas grandes empresas que possuem universidades corporativas. Resolveu empreender em educação, meio ambiente e desenvolvimento social como nichos.

Ele acredita que é possível praticar um capitalismo mais social, que divida melhor o pão. Seu empreendimento está alicerçado em três pilares: econômico, social e ambiental, como o conceito de sustentabilidade. "Decidi criar algo que gerasse autonomia e independência não só para mim, mas para as pessoas da minha cidade. Queria fazer algo por Duque de Caxias", declara.

O Libertas se tornou conhecido devido ao sucesso do programa de coleta de resíduo de óleo de cozinha, mas também atua intensamente nas áreas cultural e social. O empreendedor explica que o Libertas conecta educadores e consultores educacionais com parceiros como a Editora FTD, secretarias municipais de educação e escolas privadas.

No pilar da cultura, o Instituto promove ações em parcerias com instituições, entre elas a Academia Duquecaxiense de Letras e Artes. Em decorrência dessas parcerias, foi possível levar um artista plástico local para expor suas obras na Patagônia argentina.

O empreendimento também fomenta lançamentos de livros de autores locais e apoia grupos de dança e música integrados por jovens caxienses talentosos, que se apresentam em eventos de condomínios e do setor corporativo no estado fluminense.

A prestação de contas é feita por meio de relatórios entregues aos parceiros e apoiadores do Libertas e, também, a organizações internacionais como a ONU. Ele ressalta que é necessário produzir os relatórios para divulgar os resultados do empreendimento, demonstrando que a ação ambiental gera resultados econômicos e sociais.

No momento, está fechando uma nova parceria com a Casa Abrigo BETEL em Nova Campinas (distrito de Duque de Caxias), que abriga 54 pessoas com transtornos físicos e mentais. Os recursos obtidos na venda do óleo coletado viabilizam a doação de alimentos e fraldas geriátricas ao abrigo.

Futuro da água

Recursos hídricos são uma enorme preocupação da ONU. A água é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU que foi assumida por 194 países. O ODS 6 é referente à Água Potável e Saneamento, um direito fundamental à dignidade humana que garante segurança alimentar e energética, além dos benefícios ambientais.

 Até 2030, o propósito é melhorar a gestão hídrica e disponibilizar água tratada para todos os seres humanos juntamente com a universalização dos serviços de saneamento. Segundo estimativa da ONU, 40% da população mundial não têm acesso à agua potável. Este é o tamanho do desafio do ODS 6.

 Sidney está feliz porque o Libertas está contribuindo com o cumprimento do ODS 6, além de outros três ODS. "A água é nosso maior tesouro. Muitos países já sofrem com a falta de água e a fata de saneamento básico. As águas estão cada vez mais poluídas. Saber que estamos lutando para manter as águas limpas, é lutar pela vida", declara.

Agir localmente

"Sinto-me feliz por essas iniciativas, porque não sabemos a dimensão do quanto podemos impactar positivamente o território em que vivemos. Acredito que podemos mudar o mundo a partir de pequenas mudanças em nosso território”, enfatiza.

"O que mais me deixa satisfeito é a oportunidade que geramos para as pessoas terem o mínimo de dignidade. Nós as tratamos com muita decência e valor. Como diz uma poesia: ‘não é possível ser feliz sozinho. Temos que estar de mãos dadas".

Parceria com o Sebrae

Desde 2017, o Instituto Libertas conta com a parceria do Sebrae, quando Sidney precisou de apoio para aperfeiçoar a gestão do empreendimento."Administrávamos de forma apaixonada, sem muito conhecimento técnico e empresarial. Meus amigos me achavam louco, porque cada pilar era um nicho diferente", lembra.

O empreendedor socioambiental diz que aprendeu a gerir processos, fazer plano de negócio, perceber as fraquezas e ameaças do instituto e a cuidar da área financeira. “Comecei a atuar com profissionalismo, com mais segurança, pois passei a entender o que estava fazendo", resume Sidney. (www.institutolibertas.com.br )

 

 

  • Segunda-feira, 25 de Novembro de 2019