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CASO DE SUCESSO - LOCMAQ

Empresa de RO trata seus efluentes e de outras empresas

Empresa de RO trata seus efluentes e de outras empresas

Por André Souza e Vanessa Brito

A preocupação com o meio ambiente e a qualidade de vida das próximas gerações fizeram Henrique de Holanda Cavalcanti, empresário da Locmaq de Porto Velho (RO), investir em boas práticas sustentáveis. A empresa é uma locadora de máquinas e equipamentos para a construção civil e eventos, tais como betoneiras, andaimes, contêineres, banheiros químicos, entre outros.

As exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos em relação à gestão e tratamento dos resíduos sólidos e efluentes gerados por empresas se somaram aos ideais e propósito de Henrique. A implantação de uma estação própria de tratamento de efluentes se transformou, inicialmente, em diferencial da Locmaq e, depois, em um novo negócio. Hoje, a empresa com 22 anos de atividades é uma referência em sustentabilidade na Região Norte.

De pai para filho

A Locmaq foi fundada, em 1997, por Marcos de Holanda, pai de Henrique que enxergou oportunidade para empreender no segmento de locação de equipamentos para a construção de pequenas obras em Porto Velho. Seis meses depois, Henrique comprou o empreendimento.

Desde o início, ele enxergou a necessidade de adotar boas práticas sustentáveis principalmente para reduzir o impacto ambiental do negócio nos recursos hídricos e solo. O grande desafio era solucionar a questão do tratamento de resíduos e efluentes gerados pela locação de banheiros químicos. Em termos de saneamento básico, a capital rondoniense dispõe atualmente de rede de esgotamento sanitário em apenas 4,5% da cidade e os serviços de água atingem cerca de 32% da população.

“Não alugo banheiro químico sem tratamento de resíduos. Pago mais caro para tratar meu esgoto. Meus concorrentes não tratam esgoto. Este é o nosso diferencial”, afirma Henrique.

Hoje, a Locmaq possui duas filiais - em Vilhena (RO) e Rio Branco (AC) – gerando 35 empregos diretos e cerca de 70 indiretos; é usuária da Cataki (aplicativo que conecta geradores de resíduos a cooperativas de recicladores) para doar resíduos de papel, metal e plástico. Em Vilhena, o tratamento de resíduos  é terceirizado.

Início

"Sempre vi as pessoas executando serviço com alto custo ambiental e nunca encontrei sentido nisso. Um escoramento de madeira numa obra, por exemplo, poderia ser de metal e evitar o corte de árvores ", exemplifica o empresário.

Ele conta que foi um dos primeiros de Porto Velho a procurar empresa especializada em gestão de resíduos sólidos e efluentes. “ Existem estações de tratamento para inglês ver, que vazam esgoto para debaixo da terra”, dispara.

Henrique partiu para a solução: construiu uma estação de tratamento de esgoto com recursos próprios para cuidar dos resíduos dos banheiros químicos alugados. Atualmente duas lagoas e estações de tratamento de efluentes compõem o serviço ambiental da empresa, localizados num sítio afastado do centro urbano.

O investimento foi em torno de R$ 300 mil, informa. O serviço conta com piezômetro (mede a qualidade do lençol freático no entorno), aeradores, filtros, gradeamento etc Um engenheiro sanitarista contratado monitora o serviço. Após o tratamento, os recursos hídricos são reutilizados na irrigação da propriedade. 

Outra prática sustentável é a geração de biogás, a partir de um biodigestor que processa os resíduos orgânicos da empresa e abastece a família residente na propriedade.

Há 12 anos, a Locmaq faz a correta coleta, reciclagem e destinação dos resíduos, diz  Henrique orgulhoso.  A iniciativa acabou atraindo novos clientes. Assim nasceu a Locmaq Ambiental.

Serviço ambiental

A Locmaq Ambiental tem dois anos de atividades e foi criada para agregar valor e custear o tratamento dos resíduos próprios, atendendo outras empresas. Segundo o empresário, a estrutura é cara e com capacidade superior à demanda de seu empreendimento.

O novo serviço possui licenciamento para tratar efluentes industriais e composteira industrial para 30 mil litros/dia. O Shopping Center de Porto Velho (1,5 ton/mês) e um frigorífico (15 ton de rúmen/dia) são alguns dos clientes.

Há oito meses, a Locmaq Ambiental está fazendo compostagem dos resíduos orgânicos industriais, que geraram 100 ton de adubo orgânico para comercializar, se transformando, porém, em novo desafio. “Estamos enfrentando um desafio cultural, pois as pessoas estão acostumadas a comprar terra preta e adubo químico para seus vasos e jardins, mas conhecem pouco de adubo orgânico”, explica Henrique.

A solução está sendo doar o adubo produzido para produtores de milho, hortaliças e grama para fazerem testes. O empresário contratou um zootecnista que apoia a iniciativa no campo junto aos produtores. “Precisamos mostrar para a sociedade que o adubo orgânico é bom para todos”, enfatiza.

Henrique lembra que a legislação obriga empresas geradoras de mais de 100 litros de resíduos orgânicos/dia a tratá-los. O mercado de adubo orgânico ainda é incipiente em Rondônia e Acre. Devido ao desconhecimento do produto, seu valor é de apenas R$ 0,50/kg, enquanto o adubo químico custa R$ 3/kg, compara.

O empresário também ressalta a dificuldade enfrentada por centenas de municípios brasileiros, onde grupos empresariais que atuam como fornecedores de prefeituras, são remunerados pelo lixo transportado e enterrado. “Eles concorrem com empreendedores que querem investir no serviço de tratamento de resíduos sólidos e de efluentes, dificultando o futuro do desenvolvimento sustentável local”, argumenta o empresário.

Atuar empresarialmente com sustentabilidade é ainda um grande tabu, lamenta. Pouca gente acredita que atitudes e novos serviços ambientais criam conscientização e um mercado com boas oportunidades para empreender, acrescenta.

Parceria com o Sebrae

O Sebrae foi o primeiro cliente a tratar resíduos sólidos com a Locmaq, informa Henrique A borra do cafezinho servido na sede da instituição em Rondônia é encaminhada à empresa para ser tratada e transformada em adubo.

Henrique teve apoio do Sebrae com consultorias e na disseminação de seus ideais e atitudes para outros empresários e empreendedores, participando como palestrante em eventos. "Quem não acredita em aquecimento global e nas questões ambientais ou é ignorante ou age de má-fé”, dispara. Os recursos naturais são finitos, os rios que antes forneciam água potável, hoje estão ameaçados de morte por poluição”, enfatiza. (www.locmaq.com )

  • Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019