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CASO DE SUCESSO - MANIOCA

Manioca produz ingredientes gastronômicos da Amazônia

Manioca produz ingredientes gastronômicos da Amazônia

Por Maria Clara Cabral e Vanessa Brito

Enquanto o mundo se preocupa com a Amazônia, a indústria Manioca distribui seus sabores para o Brasil e outros países. Este empreendimento gastronômico, que pratica o comércio justo, leva ingredientes desse riquíssimo bioma para as mesas de brasileiros e estrangeiros. Todos são 100% naturais, extraídos e plantados por comunidades e pequenos produtores, que aliados ao conhecimento tradicional são responsáveis pela famosa culinária paraense.

A Manioca – Sabores da Amazônia de Belém (PA) comercializa produtos da agricultura familiar, oferecendo capacitação para os produtores e, ao mesmo tempo, estimula o consumo sustentável de tucupi, jambu, feijão manteiguinha de Santarém e as farinhas de tapioca e mandioca que geram renda, há cinco anos, para comunidades no interior do Pará. Além dos produtos tradicionais, a empresa produz criações próprias como temperos, geleias, granola e outras surpresas feitas com os frutos da Amazônia.

Na produção dos tradicionais, estão envolvidas 12 grupos de pequenos produtores paraenses, principalmente das regiões nordeste e central do Pará e da região do Xingu. Com eles, a Manioca não só negocia, como desenvolve um trabalho de apoio, assistência técnica e capacitação, compartilhando experiências e conhecimentos.

“Em geral, o produto artesanal não tem muito padrão. Então, a gente seleciona os produtores e orienta as boas práticas. Algumas capacitações são voltadas à questão ambiental, sobre descarte de resíduos, por exemplo. Outras são voltadas ao estímulo da comunidade, porque nós entendemos que esse produtor precisa se relacionar com seu entorno”, explica a sócia-fundadora da empresa, Joanna Martins, que é publicitária e pesquisadora da gastronomia amazônica.  

Tudo isso é pensado a partir das dificuldades e potencialidades de cada parceiro, proporcionando um acompanhamento personalizado. “Fazemos um cronograma de acordo com o produtor, porque cada um tem uma necessidade diferente. Também temos um planejamento de ações, algumas coincidem e atuamos em conjunto. Mas é um trabalho muito individual também” complementa.

Segundo Joanna, além de trabalhar com alimentação natural e conscientização da cadeia produtiva, a Manioca faz coleta seletiva e outras práticas sustentáveis.

“A gente se percebe enquanto um negócio socioambiental, um segmento que tende a crescer ainda mais, principalmente na Amazônia devido à necessidade de preservação. A consciência do consumidor ainda é embrionária, mas a tendência é que isso cresça cada vez mais, principalmente porque hoje o consumidor tem mais informação”, avalia.

Amor à Amazônia – herança de família

A Manioca foi criada por Joanna, em 2014, mas pode-se dizer que o empreendimento é fruto de uma vocação familiar e amor ao bioma amazônico. O negócio foi plantado pelo pai - o chef de cozinha Paulo Martins - e a avó de Joanna, Anna Maria, há quatro décadas, quando fundaram, em 1972, o restaurante “Lá em Casa”, em Belém (PA).  

Antes de se tornar chef, Paulo era arquiteto e, percebeu nos ingredientes da região potencialidades criativas, enquanto sua mãe cativava a clientela no Restaurante Lá em Casa com seus pratos tradicionais deliciosos e um sorriso largo, que ficaram conhecidos na cidade. Além dos ingredientes da floresta, afeto, tradição e inovação eram as marcas do estabelecimento.

A gastronomia criativa de Paulo Martins conquistou o exterior ao ser citado pelo New York Times, por suas inovações ao usar ingredientes locais, despertando o interesse de chefs brasileiros e estrangeiros, que também começaram a buscar tucupi e jambu para seus pratos – entre eles Ferran Adriá que chamou os dois produtos de ‘ eletricidade vegetal’, entre outras estrelas da culinária.

Oportunidade

“Meu pai acabou viajando muito pelo país, apresentando a culinária típica da Amazônia para o mercado brasileiro, como um grande ‘embaixador da cozinha paraense”, conta Joanna.  A demanda pelos produtos, matérias-primas e ingredientes da floresta era atendida por ele como uma espécie de ‘favor’ aos chefs amigos, acrescenta.

A empresária, que cresceu em meio à inventividade da cozinha brasileira, enxergou no aumento de interesse do país e da mídia pelos ingredientes paraenses uma oportunidade de inovar o negócio da família. “Resolvemos transformar o negócio, criando a marca Manioca e passamos a trabalhar com os produtos mais voltados para o consumidor final”, explica.

Atualmente, a Manioca está presente em 21 estados brasileiros, distribuindo os produtos para restaurantes, bares, hotéis e empórios. O consumidor final tem acesso às ofertas por meio do varejo. Os grupos St. Marche, de São Paulo, e Líder e Formosa, de Belém, são alguns dos parceiros.  A expansão do negócio ocorreu, em 2017, momento em que os produtos da marca paraense passaram a ser comercializados pela rede de supermercados Pão de Açúcar.

A Manioca também integra o grupo Pura Amazônia, um coletivo de empreendimentos que trabalham com produtos desenvolvidos a partir da cultura e da biodiversidade amazônica, apoiado pelo Sebrae. O negócio também contou com consultorias técnicas de inovação realizadas pela instituição.  No ano passado, a empresa foi finalista do Prêmio Sebrae de Inovação 2018. (www.maniocabrasil.com.br )

  • Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019