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Ciclos 2019 - Empreendedores que transformam

Empreendedorismo que transforma a vida e a economia

Empreendedorismo que transforma a vida e a economia

Por Assessoria de imprensa Centro Sebrae de Sustentabilidade / Vanessa Brito

Uma grife de acessórios de moda que usa câmaras de pneus e tecido de nylon de guarda-chuvas descartados, uma startup para maiores de 50 anos se recolocarem no mercado de trabalho e um atleta paralímpico campeão mundial de canoagem, que inova em programas de TV e novos equipamentos para cadeirantes. O painel que apresentou estes três empreendedores, nesta tarde (24), no CICLOS-Congresso Internacional de Sustentabilidade, realizado pelo Sebrae em Cuiabá, agradou o público com mais de 500 pessoas. O painel foi mediado por André Schelini, gerente de Inteligência Estratégica do Sebrae MT.

Adriana Tubino, designer de moda e sócia-fundadora da Revoada, um empreendimento pra lá de inovador de Porto Alegre (RS), contou como ela e a publicitária Itiana Pasetti criaram um negócio de economia circular, que hoje é tema de palestras pelo Brasil.

A história da Revoada em seis anos e começou quando as duas amigas se encontraram numa festa. Itiana trabalhava numa grande indústria de moda, que produzia coleções uma atrás da outra, porém incomodava o fato de não saber detalhes do negócio, se gerava resíduos, o que era feito deles, entre outros aspectos. 

Adriana tinha estúdio de design com alguns amigos, cuidava do branding  de grandes marcas de moda, ajudava a vendê-las, também sem saber como  os produtos eram fabricados, se havia trabalho escravo envolvido ou o que havia além do glamour das grifes.

As duas se questionavam se era possível fazer uma moda sustentável. Decidiram embarcar nesta ideia, mas também se perguntavam porque colocar mais um produto num mundo repleto de consumo e excessos. Assim chegaram aos resíduos para não precisarem de matéria prima nova. “Decidimos fazer acessórios de moda para substituir couro e descobrimos na câmara do pneu e no nylon dos guarda-chuvas a nossa matéria prima”, contou Adriana. Estes dois resíduos levam mais de 200 anos para decompor, informou.

Criaram a cadeia produtiva da Revoada, composta por borracheiros e costureiras de comunidades e cooperativas. Nas unidades de triagem de lixo seco em Porto Alegre propuseram às trabalhadoras que retirassem os tecidos dos guarda-chuvas e ficassem com o metal para vender. Não foi fácil, segundo ela, pois não entendiam que iam ser parceiros e que elas passariam de 15 em 15 dias para coletar os materiais e pagá-los. As costureiras também achavam que seria impossível costurar borracha.

Outros parceiros lavam o nylon dos guarda-chuvas e pneus, antes de serem transformados em acessórios de moda. Com o tempo todos compreenderam que se tratava de um novo modelo de negócio com propósito, diferente de tudo que já tinham visto.  

Bolsas, carteiras, mochilas, bolsas de viagem e lindas jaquetas são alguns dos produtos da Revoada, que possuem um design diferenciado. As peças já foram usadas nos figurinos de telenovelas da TV Globo.

A comercialização é também inovadora, por meio do site da marca, os lotes de produtos são anunciados e seus clientes, chamados de vuelistas, se candidatam a comprar e aguardam ficarem prontos. Desse modo, não há geração de resíduos nem sobras de produção, explica Adriana.

As duas empreendedoras passaram a ser procuradas por grandes empresas para aprenderem com elas a economia circular que praticam e assim tornaram-se mentoras e consultoras, como também fornecedoras de brindes sustentáveis.

Adriana disse que a Revoada está contribuindo para a mudança de mindset (mentalidade) das pessoas e que este é um resultado importante do empreendimento. Contou também que, ao longo de seis anos, a grife sustentável retirou 14 ton de câmaras do meio ambiente, reutilizou 13 mil unidades de guarda-chuvas, gerou trabalho e renda para 300 famílias de costureiras e borracheiros e atingiram mais de 50 mil pessoas.

Gente madura

O segundo a falar no painel foi Morris Litvak Jr, criador e CEO da startup Maturijobs, uma plataforma para maiores de 50 anos de idade que procuram recolocação no mercado de trabalho. Este negócio com propósito social também incentiva sua clientela a empreender, se reinventar e não só procurar emprego.

A Maturijobs foi criada em 2015, quando ele estava com 32 anos. A inspiração foi a sua avó que trabalhou até os 82 anos e só parou, devido a uma queda na calçada. Dona Keila passou a ficar dentro de cada, sua saúde piorou e faleceu aos 91 anos. Ela foi um exemplo para Morris.

Depois de trabalhar na empresa da família, estava decidido a empreender e gostava muito da ideia do empreendedorismo social. Começou a pesquisar. Em 2011, havia participado de um trabalho em uma casa de repouso e conheceu pessoas idosas com histórias incríveis, que recebiam poucas visitas. Passou a estudar a questão do envelhecimento e longevidade e decidiu investir aí. “Entendi que a população brasileira estava envelhecendo muito rápido e aumentei meu contato com o público de 50 anos, que estava perdendo emprego e que a idade dificultava muito para se recolocarem”, disse.

Muitos nem eram aposentados, ainda, e o governo não tem política nenhuma para estas pessoas. Descobri muita gente sofrendo e, hoje, com a Reforma da Previdência a caminho, este assunto se tornou mais importante, acrescentou Morris.

Assim surgiu a Maturijobs. “Agora, falamos que o mundo é dos maturis, como chamamos nossos clientes. Não usamos os termos idoso, terceira nem melhor idade, pois são estereotipados”, afirma. Estas expressões não representam quem tem 60 anos, segundo ele.

“O Brasil é o país que envelhece mais rápido no mundo hoje. Dizemos que estamos vivendo a revolução da longevidade silenciosa. Ainda não vemos nas ruas, mas daqui a 10 anos vamos acordar e ver que somos um país de pessoas maduras”, prevê. Os países mais desenvolvidos já passaram por este processo. A França, por exemplo, foi envelhecendo paulatinamente, se desenvolvendo, se enriquecendo, hoje há uma cultura de valorização dos idosos. “O que a França levou 130 anos, no Brasil acontecerá em 25 anos”, dispara. E tendo que resolver outros problemas, observa.

Hoje, no mundo há mais 2 bilhões de pessoas acima 50 anos, no Brasil em 2015 eram 51 milhões empregados e profissionais autônomos.  No futuro próximo, estas pessoas vão precisar de mais renda para se sustentarem e não vão querer parar de trabalhar e atuar no mundo. Todos querem ser uteis e 

  • Segunda-feira, 27 de Maio de 2019