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Medidas de gestão

Visão sistêmica e cooperação para enfrentar os efeitos da pandemia

Visão sistêmica e cooperação para enfrentar os efeitos da pandemia

Por Vanessa Brito

Carlos Fernandes, empresário da Construforte, que tem 25 anos de mercado em Cuiabá (MT), conta que as medidas de gestão implementadas nos anos anteriores estão ajudando a enfrentar os efeitos da pandemia atual. A crise de 2016 o levou a redesenhar a atuação da empresa e, graças a isso, está hoje mais preparado. Ele investiu em maquinários para conseguir mais eficiência. Os carros-chefes da Construforte são tintas, porcelanato e pisos.

Nas últimas semanas, parte da equipe de 25 colaboradores entrou em férias. Não houve demissões. A loja está funcionando com atendimento personalizado - um cliente de cada vez à mesa - sempre com álcool em gel à disposição e guardando distância mínima de 1,5 m. Sem os costumeiros apertos de mão.

Além de empresário, Carlos é instrutor, há muitos anos, do curso Empretec - criado pela ONU para desenvolver atitudes e comportamentos empreendedores, que é ministrado pelo Sistema Sebrae no Brasil. Leia o depoimento dele, abaixo:

“Toda crise gera um aprendizado. Desde a crise de 2016, quando tínhamos 39 funcionários, tive de repensar o negócio, buscando mais eficiência. Nos moldes em que trabalhávamos não daria para continuar, pois era preciso fazer mais com menos.

Resolvemos automatizar processos e operações, reduzindo o trabalho braçal, por exemplo, no momento de carregar os produtos até o veículo da clientela. Começamos a trabalhar com pallets e empilhadeira. A areia ensacada fica em estoque e a empilhadeira leva até o carro do cliente, sem sujá-lo. Antes era tudo manual. São pequenas ações, mas que significam uma grande mudança no atendimento e resultados da empresa.

Quando a pandemia chegou, já estávamos enxutos. Em março, as vendas caíram 30% em relação a março do ano passado. No final do mês, a situação complicou. Em relação à nossa capacidade, podemos dizer que as vendas ficaram 70% menores comparado a um mês normal.

A expectativa é a de que em junho o mercado vai voltar a funcionar, mas bem frágil.  O poder aquisitivo das pessoas estará mais baixo e as empresas com menos capital de giro. Apesar deste cenário, acredito que vamos sair dessa com certeza, mas dependerá das escolhas e ações que vamos fazer daqui para a frente. Elas vão definir quem vai sair menos ou mais machucado.

No final de abril, se não houver perspectiva, aconselho negociar com os fornecedores. Considero as medidas anunciadas pelo governo ainda tímidas e demoradas. Não é hora de barganhar, é hora de cuidar das pessoas e salvar as empresas. Bancos públicos ainda não entenderam que o momento é para salvar as empresas, que vão salvar os empregos e garantir a sobrevivência das pessoas e o equilíbrio social.

Temos de ter visão holística, temos que pensar na cadeia toda. É hora de colocar em prática a visão sistêmica. Um salva o outro. Acredito no associativismo principalmente em momentos como o atual. Vou ganhar menos, mas a gente continua parceiro.  Às vezes manter o parceiro é ganhar. Lá na frente, a gente renegocia. Tem gente só vendo o hoje e o agora.

Não é só o aspecto financeiro que está em jogo. É a hora da cooperação e do associativismo mesmo. A grande lição deste momento é esta: vamos separar o joio do trigo. Na minha concepção, como pessoa, empresário e pai é ver quem é quem, quem está olhando seu rosto ou só o seu bolso”.

 

  • Quarta-feira, 15 de Abril de 2020
  • Pandemia de coronavírus