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Negócio de impacto - Mary Drive

Aplicativo de mobilidade urbana para mulheres faz sucesso em Recife e Salvador

Aplicativo de mobilidade urbana para mulheres faz sucesso em Recife e Salvador

Por Vanessa Brito

Vivemos numa época em que boas ideias podem se transformar rapidamente em negócios inovadores e de impacto social. Este é o caso da Mary Drive, um aplicativo de mobilidade urbana só para o público feminino, lançado em janeiro passado, em Recife (PE), e em março, em Salvador (BA).  Tanto motoristas como passageiros são mulheres. Uma solução perfeita para aquelas que buscam mais segurança, carros limpos e confortáveis e uma boa conversa durante as corridas. Sem correr o risco de ter de enfrentar qualquer tipo de assédio, violência ou assalto.

A ideia do aplicativo foi dos empreendedores Leôncio Manso e Felipe Martins, que perceberam o nicho na mobilidade urbana.  Sem capital, foram atrás de investimento e se inscreveram no edital de incubação do Porto Tecnológico Digital de Recife 2018. A start up foi uma das selecionadas e assim embarcou nesse importante polo de inovação tecnológico do país.

Segurança e conforto

Segurança e conforto são as palavras-chave do Mary Drive, que já nasceu com nome para também atuar fora do Brasil. No início, pensaram em colocar Maria, mas chegaram à conclusão de que Mary seria mais universal. Em todas as etapas do desenvolvimento e da operação do aplicativo, a clientela e as motoristas são ouvidas. Este é o caminho para aprimorar os serviços prestados.

Atualmente mais de 4 mil motoristas estão cadastradas no aplicativo, das quais 500 estão rodando e atendendo a clientela nas duas capitais. Já foram realizadas em torno de 5 mil corridas. A meta do empreendimento é alcançar 50 mil motoristas nas duas capitais e, depois, ampliar para outras regiões. O Mary Drive atrai investidores e, por enquanto, um deles já investiu R$ 150 mil e vai se tornar sócio.

No momento, a plataforma está passando por adequações solicitadas pelas motoristas e o empreendimento está sendo remodelado, da gestão ao quadro societário, composto por sete sócios. Rhuan Torres prestou serviços de mentoria ao empreendimento, em julho passado, e acabou se tornando um dos sócios. Hoje, ele é diretor de marketing do aplicativo e foi entrevistado pelo portal do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) – www.sustentabilidade.sebrae.com.br

Ele conta que participou do Empretec, curso ministrado pelo Sebrae, baseado em metodologia das Nações Unidas (ONU), que objetiva desenvolver características de comportamento empreendedor nos participantes. “Nosso contato com o Sebrae é permanente”, informa Rhuan.

Rhuan apresenta o Mary Drive para motoristas interessadas em participar do aplicativo de mobilidade para mulheres

Além da mobilidade

“O Mary Drive não quer ser visto apenas como um aplicativo de mobilidade urbana. Queremos ser vistos como empresa que pensa em ser relevante para a sua clientela. Vamos criar vários serviços para as mulheres, começando pela mobilidade urbana”, afirma Rhuan.

“Vamos oferecer um combo de produtos e serviços de empresas parceiras, que quiserem atingir o público feminino. Estamos conversando com outras start ups voltadas ao público feminino para buscar parcerias de eventos e serviços”, ressalta.

Os veículos Mary Drive não são adesivados por um bom motivo: não torná-los alvos de ações indesejadas ou de pessoas mal intencionadas. Dentro do veículo, no entanto, há diferenciais para que a cliente se sinta mais acolhida. A taxa de retenção de motoristas é de 20%, enquanto no aplicativo concorrente é 26%, informa.

“Fomos convidados para falar em vários debates de segurança pública. Temos uma delegada da polícia civil em Recife que conhece nosso trabalho. Participamos de eventos policiais femininos”, revela Rhuan.

Corridas

Durante o dia, geralmente as corridas são para mulheres adultas e jovens para irem trabalhar, ao médico e shopping. Já à noite, as motoristas da Mary Drive atendem clientes que vão a bares e restaurante e festas com amigas. Mulheres se sentem mais seguras na companhia de motoristas femininas, principalmente na hora de voltar para casa, diz o diretor de marketing do aplicativo.

Clientes idosas chamam o aplicativo para irem às compras e passear, durante o dia. Neste caso, são passageiras que precisam de mais atenção e gentileza como ajuda para descer do veículo, carregar as compras, etc

Pesquisas e feed back da concorrência estão sempre sendo feitos pela Mary Drive. “ Analisamos muito as demandas dos concorrentes. Muitas motoristas rodam em mais de um aplicativo. Elas nos dão retorno sobre as passageiras”, diz ele.

 

Preferência

Segundo a análise das pesquisas, as passageiras preferem as motoristas porque: são mais atenciosas, educadas na hora de buscar a cliente; oferecem mais conforto e comodidade na conversa durante a corrida; são mais cuidadosas no trânsito e com a higiene e limpeza do carro; algumas investem em atendimento diferenciado (água, brinde, revistas femininas, etc).

O aplicativo Mary Drive não ministra cursos para as motoristas, mas promove encontros para escutá-las. Geralmente são feitos em locais bem diferentes de auditórios. As conversas acontecem em espaços mais informais com pufs, almofadas, sofás, cadeiras, no horário que for melhor para elas.

“Aprendemos muito nessas conversas, que também aumentam o aprendizado entre elas. É um processo de aprendizagem colaborativo”, resume Rhuan. Antes de lançar o aplicativo, foram feitas várias corridas gratuitas com passageiras para aprender a lidar com o público-alvo.

Nordeste e concorrência

A Mary Drive foi o primeiro aplicativo de mobilidade feminina do Nordeste. Na Região Sudeste há concorrentes, inclusive o aplicativo mais conhecido do país está lançando uma plataforma especial para mulheres.

Uma empresa da Rússia ligou para fazer matéria, com o diretor de marketing. “Temos grande potencial para crescer. Já surgiram duas concorrentes em Recife, uma em Salvador, e uma em Fortaleza”.  

Emails chegam da Paraíba solicitando a implantação do serviço no estado, onde há registro de assédio, assalto e até estupro em aplicativos de mobilidade urbana. “Se a passageira está de saia e o motorista olha pelo retrovisor, já é assédio”, explica.

“Estamos na fase de chamar motoristas para serem exclusivas da Mary Drive. Mulheres que nunca trabalharam com nenhum aplicativo, principalmente”, esclarece Rhuan. O aplicativo desenvolvido em Recife pode ser a solução para o público feminino, tanto para quem conduz o veículo, como para quem é passageira. (www.marydrive.com )

 

 

 

 

  • Terça-feira, 3 de Julho de 2018
  • mobilidade urbana

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